terça-feira, 3 de outubro de 2023

Aula 37 - Energização de Motor Monofásico com Capacitor Permanente

No Motor Monofásico com Capacitor Permanente  (Permanent-Split Capacitor) o enrolamento auxiliar e o capacitor ficam permanentemente energizados. O efeito deste capacitor é o adiantamento da corrente no enrolamento auxiliar aumentando, com isso, o conjugado máximo, o rendimento e o fator de potência, além de reduzir sensivelmente o ruído. 
Construtivamente são menores e isentos de manutenção pois não utilizam contatos e partes móveis, como nos motores anteriores. Porém, seu conjugado de partida normalmente é inferior ao do motor de fase dividida (50% a 100% do conjugado nominal), o que limita sua aplicação a equipamentos que não requeiram elevado conjugado de partida, tais como: máquinas de escritório, ventiladores, exaustores, sopradores, bombas centrífugas, esmeris, pequenas serras, furadeiras, condicionadores de ar, pulverizadores, etc. São fabricados normalmente para potências de 1/50 a 1,5 cv.
No gráfico há características do conjugado x velocidade. O baixo torque de partida ocorre pois o capacitor não está dimensionado para proporcionar o equilíbrio na partida, mas para condições de rotação nominal.
Eliminando o interruptor centrífugo pode reduzir significativamente o custo de fabricação. 
Neste tipo de motor o enrolamento auxiliar e o capacitor ficam sempre ligados e não possuem chave centrífuga. Tem características similares ao motor trifásico, como rendimento e fator de potência. 
Diagrama elétrico disponível em:
15_02 _001 Motor Monofasico Capacitor Permanente.pdf


Geralmente são fabricados com potências de 0,2 a 1,5 CV.
O capacitor é escolhido de modo que a corrente que passa pelo enrolamento auxiliar seja a mesma que passa pelo enrolamento principal. O valor do capacitor depende de sua finalidade, beneficiar o arranque ou manter a rotação e normalmente fica entre 4 e 10 uf (microfarad).
O motor com capacitor permanente é considerado o mais confiável dos motores monofásicos, principalmente por não usar chave centrífuga. Neste motor é possível alterar a velocidade facilmente, com a mudança do valor do capacitor.
Após alcançar a velocidade nominal é mais silencioso e vibra menos que os outros motores monofásicos além de permitir a reversão instantânea da rotação. A exemplo, temos as lavadoras de roupas, nas quais a centrifugação ocorre no sentido inverso aos dos molhos e enxágues, e os ventiladores de teto.

Veja dados técnico de motores para micro ventiladores que são construídos com motores de capacitor permanente no link: <<  16_03_003 Motor Monofásico – Capacitor permanente  >>.

Diagrama elétrico de motor monofásico com capacitor permanente disponível em: 15_02 _001 Motor Monofasico Capacitor Permanente.pdf

Diagrama elétrico de motor monofásico com capacitor permanente de duas velocidades disponível em: 24_08 _13 Motor Monofásico Fase dividida e Capacitor Permanente.pdf

© Direitos de autor. 2016: Gomes; Sinésio Raimundo. Ultima atualização: 03/09/2024

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Aula 36 - Energização de Motor Monofásico de Fase Dividida


O Motor Monofásico de Fase Dividida (Split-phase) possui um enrolamento principal e um auxiliar (para a partida), ambos defasados no espaço de 90 graus elétricos. O enrolamento auxiliar cria um deslocamento de fase que produz o conjugado necessário para a rotação inicial e a aceleração.

Quando o motor atinge uma rotação de cerca de 75% da velocidade nominal  o enrolamento auxiliar é desconectado da rede através de uma chave que normalmente é atuada por uma força centrífuga. Após desligamento do enrolamento auxiliar o motor continua a rodar através de em um único campo oscilante, o que em conjunto com a rotação do rotor, resulta em um efeito de campo rotativo. Como o enrolamento auxiliar é dimensionado para atuação somente na partida, seu não desligamento provocará a sua queima. 

O ângulo de defasagem que se pode obter entre as correntes do enrolamento principal e do enrolamento auxiliar é pequeno e, por isso, esses motores têm conjugado de partida igual ou pouco superior ao nominal, o que limita a sua aplicação a potências fracionárias e a cargas que exigem reduzido ou moderado conjugado de partida, tais como máquinas de escritórios, ventiladores e exaustores, pequenos polidores, compressores herméticos, bombas centrífugas, etc. Normalmente são construídos em potências fracionárias que não excedem ¾ de CV.
Um motor de fase dividida não tem nenhuma capacitância no circuito auxiliar. A mudança de fase em relação à corrente principal é conseguida por utilização de condutores muito finos para alcançar uma elevada resistência à relação de reatância. O aumento da resistência do enrolamento auxiliar traz como consequência o fato dele só poder ser utilizada durante a partida.
Um motor de fase dividida tem o torque significativamente menores devido à redução do ângulo de fase entre as correntes do enrolamento principal e auxiliar.

Veja dados técnico de motores para micro ventiladores que são construídos com motores de fase dividida no link: <<  16_03_002 Motor Monofásico – Micro ventiladores  >>.

© Direitos de autor. 2016: Gomes; Sinésio Raimundo. Ultima atualização: 03/03/2016

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Aula 35 - Energização de Motor Monofásico de Pólos Salientes


O motor Monofásico de pólos salientes é uma variação do motor de campo distorcido, que se destaca entre os motores de indução monofásicos por seu processo de partida, que é o mais simples, confiável e econômico. Uma das formas mais comuns de motores de indução monofásicos é a de polos salientes, ilustrada esquematicamente na figura. 
Observa-se que uma parte de cada polo (em geral 25% a 35% do mesmo) é abraçada por uma espira de cobre em curto-circuito. A corrente induzida nesta espira faz com que o fluxo que a atravessa sofra um atraso em relação ao fluxo da parte não abraçada pela mesma. O resultado disto é semelhante a um campo girante que se move na direção da parte não abraçada para a parte abraçada do polo, produzindo conjugado que fará o motor partir e atingir a rotação nominal.
O sentido de rotação, portanto, depende do lado em que se situa a parte abraçada do polo. Consequentemente, o motor de campo distorcido apresenta um único sentido de rotação. Este geralmente pode ser invertido, mudando-se a posição da ponta de eixo do rotor em relação ao estator. 
Quanto ao desempenho dos motores de campo distorcido, apresentam baixo conjugado de partida (15% a 50% do nominal), baixo rendimento e baixo fator de potência. Devido a esse fato, eles são normalmente fabricados para pequenas potências, que vão de alguns milésimos de cv até 1/4 cv. Pela sua simplicidade, robustez e baixo custo, são ideais em aplicações tais como: movimentação de ar (ventiladores, exaustores, purificadores de ambiente, unidades de refrigeração, secadores de roupa e de cabelo), pequenas bombas e compressores e aplicações domésticas.

© Direitos de autor. 2016: Gomes; Sinésio Raimundo. Ultima atualização: 03/03/2016

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Aula 34 - Energização de Motor Monofásico com Campo Distorcido

Motor de indução monofásico com campo distorcido ou polos sombreados (Shaded–Pole) apresenta um enrolamento auxiliar "curto-circuitado". O motor de campo distorcido se destaca entre os motores de indução monofásicos, por seu método de partida, que é o mais simples, confiável e econômico. 
Uma das formas construtivas mais comuns é a de polos salientes, sendo que cerca de 25 a 35% de cada polo é enlaçado por uma espira de cobre em curto circuito. A corrente induzida nesta espira faz com que o fluxo que a atravessa sofra um atraso em relação ao fluxo da parte não enlaçada pela mesma. 
O resultado disto é semelhante a um campo girante que se move na direção da parte não enlaçada para a parte enlaçada do polo, produzindo conjugado que fará o motor partir e atingir a rotação nominal. 
Diagrama elétrico disponível em:
15_02 _002 Motor Monofasico Polo Distorcido.pdf
O sentido de rotação depende do lado que se situa a parte enlaçada do polo, consequentemente o motor de campo distorcido apresenta um único sentido de rotação. Este geralmente pode ser invertido, mudando a posição da ponta de eixo do rotor em relação ao estator. 
Quando se alimenta o estator o fluxo do campo criado induz uma voltagem na bobina sombreada como se ela fosse o secundário de um transformador.
A corrente induzida está fora de fase com a corrente principal que alimenta o campo (indutora) e consequentemente o fluxo no polo sombreado se encontra defasado do fluxo principal. O resultado é semelhante a um campo girante que vai da parte não abraçada para a abraçada. O sentido de rotação depende de onde se encontra a parte abraçada. Como a defasagem é menor que 90 graus e o fluxo no polo sombreado não é muito forte o torque de partida deste motor só chega a metade do nominal.
Os motores de campo distorcido apresentam baixo conjugado de partida (15 a 50% do nominal), baixo rendimento (35%) e baixo fator de potência (0,45). Normalmente são fabricados para pequenas potências, que vão de alguns milésimos de cv até o limite de 1/4cv. Pela sua simplicidade, robustez e baixo custo, são ideais em aplicações tais como: ventiladores, exaustores, purificadores de ambiente, unidades de refrigeração, secadores de roupa e de cabelo, pequenas bombas e compressores, projetores de slides, toca discos e aplicações domésticas.
Apesar de sua aparente simplicidade, o projeto deste tipo de motor é de extrema complexidade, envolvendo conceitos de duplo campo girante, campos cruzados e complexa teoria eletromagnética.

Veja dados técnico de motores para micro ventiladores que são construídos com motores de campo distorcido no link: <<  16_03_001 Motor Monofásico – Campo Distorcido  >>.

© Direitos de autor. 2016: Gomes; Sinésio Raimundo. Ultima atualização: 03/03/2016

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Aula 33 - Energização de motor monofásico com capacitor de partida

O Motor de indução com partida por capacitor foi construído a partir de um motor de fase dividida, no qual foi adicionado um capacitor o qual é usado para dar partida em um motor de indução monofásico através do enrolamento auxiliar, após a partida o capacitor é desligado por uma chave centrífuga quando o motor estiver em velocidade. Além disso, o enrolamento auxiliar pode ter muito mais voltas de fio mais fino do que o usado em um motor de resistência de fase dividida para diminuir o aumento excessivo de temperatura. O resultado é que há mais torque de partida disponível para cargas pesadas, como compressores de ar condicionado.
Esta configuração de motor funciona tão bem que está disponível em tamanhos de vários cavalos de potência, sendo muito usado em aplicações comerciais e rurais.
A capacidade dos condensadores de partida, determinada experimentalmente pelos fabricantes de motores, varia ao variar a potência do motor, conforme a tabela abaixo com limite máximo até 1 c.v.


O Motor Monofásico com Capacitor de Partida é semelhante ao de fase dividida. A principal diferença reside na inclusão de um capacitor eletrolítico em série com o enrolamento auxiliar de partida. 
O capacitor permite um maior ângulo de defasagem entre as correntes dos enrolamentos principal e auxiliar, proporcionando assim elevados conjugados de partida. Como no motor de fase dividida, o circuito auxiliar é desconectado quando o motor atinge entre 75% a 80% da velocidade síncrona. 
Neste intervalo de velocidades, o enrolamento principal sozinho desenvolve quase o mesmo conjugado que os enrolamentos combinados. Para velocidades maiores, entre 80% e 90% da velocidade síncrona, a curva de conjugado com os enrolamentos combinados cruza a curva de conjugado do enrolamento principal de maneira que, para velocidades acima deste ponto, o motor desenvolve menor conjugado, para qualquer escorregamento, com o circuito auxiliar ligado do que sem ele.
Devido ao fato de o cruzamento das curvas não ocorrer sempre no mesmo ponto e, ainda, o disjuntor centrífugo não abrir sempre na mesma velocidade, é prática comum fazer com que a abertura aconteça, na média, um pouco antes do cruzamento das curvas. Após a desconexão do circuito auxiliar, o seu funcionamento é idêntico ao do motor de fase dividida.
Diagrama elétrico disponìvel em: 
Motor Monofásico Capacitor de Partida
Com o seu elevado conjugado de partida (entre 200% e 350% do conjugado nominal), o motor de capacitor de partida pode ser utilizado em uma grande variedade de aplicações e é fabricado em potências que vão de 1/4 cv a 1,5 cv.

O diagrama elétrico da Partida Reversora por Chave Eletromecânica está disponível no link a seguir: Motor Monofásico de capacitor de partida: 16_04_23 DM Monofásico Capacitor ;

© Direitos de autor. 2016: Gomes; Sinésio Raimundo. Ultima atualização: 25/02/2016

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Aula 32 - Motores de indução monofásicos de Tesla

Figura 01 - Motor de indução polifásico
de Nicolas Tesla 

 A maioria dos motores em corrente alternada são motores de indução. Os motores de indução são muito utilizados devido à sua robustez e simplicidade. Cerca de 90% dos motores industriais são motores de indução. 
Nikola Tesla concebeu os princípios básicos do motor de indução polifásico em 1883 e tinha um modelo de meio cavalo-vapor (400 watts) em 1888. Tesla vendeu os direitos de fabricação para George Westinghouse por US$ 65.000.
A maioria dos motores industriais grandes (> 1 HP ou 1 kW) são motores de indução polifásicos . Por polifásico, queremos dizer que o estator contém múltiplos enrolamentos distintos por pólo do motor, acionados por ondas senoidais correspondentes deslocadas no tempo.

Na prática, são duas ou três fases. Grandes motores industriais são trifásicos. Embora incluamos inúmeras ilustrações de motores bifásicos para simplificar, devemos enfatizar que quase todos os motores polifásicos são trifásicos.
Figura 02 - Motor de indução polifásico de Tesla
Por motor de indução , queremos dizer que os enrolamentos do estator induzem um fluxo de corrente nos condutores do rotor, como um transformador, ao contrário de um motor comutador CC com escovas.
Um motor trifásico pode funcionar a partir de uma fonte de energia monofásica, mostrado na figura 01. No entanto, ele não será iniciado automaticamente. Pode ser acionado manualmente em qualquer direção, ganhando velocidade em poucos segundos. Ele desenvolverá apenas 2/3 da potência nominal de 3-φ porque um enrolamento não é usado.


Bobina única de um motor monofásico
Figura 03 - O motor 3-φ funciona com
a potência 1-φ, mas não dá partida.

A bobina única de um motor de indução monofásico não produz um campo magnético rotativo, mas sim um campo pulsante atingindo intensidade máxima em 0° e 180° elétricos.
Outra visão é que a bobina única excitada por uma corrente monofásica produz dois fasores de campo magnético em contra-rotação, coincidindo duas vezes por revolução a 0° (figura 02-a) e 180° (figura 02-e). Quando os fasores giram para 90° e -90° eles se cancelam na figura c.
A 45° e -45° (figura 02 b) eles são parcialmente aditivos ao longo do eixo +x e se cancelam ao longo do eixo y. Uma situação análoga existe na figura d. A soma desses dois fasores é um fasor estacionário no espaço, mas com polaridade alternada no tempo. Assim, nenhum torque de partida é desenvolvido.
Figura 04 - O estator monofásico produz um
campo magnético pulsante e não rotativo
No entanto, se o rotor for girado para frente a um pouco menos que a velocidade síncrona, ele desenvolverá torque máximo com escorregamento de 10% em relação ao fasor giratório para frente. Menos torque será desenvolvido acima ou abaixo de 10% de escorregamento.
O rotor apresentará um deslizamento de 200% - 10% em relação ao fasor do campo magnético em contra-rotação. Pouco torque (ver curva de torque vs escorregamento), além de uma ondulação de frequência dupla, é desenvolvido a partir do fasor em contra-rotação. Assim, a bobina monofásica desenvolverá torque, assim que o rotor for acionado.
Se o rotor for iniciado na direção reversa, ele desenvolverá um torque igualmente grande à medida que se aproxima da velocidade do fasor girando para trás.
Os motores de indução monofásicos possuem uma gaiola de esquilo de cobre ou alumínio embutida em um cilindro de laminações de aço, típico dos motores de indução polifásicos.

Traduzido de : << https://www.allaboutcircuits.com/textbook/alternating-current/chpt-13/tesla-polyphase-induction-motors/ >>

© Direitos de autor. 2023: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 21/06/2023.

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Aula 31 - Energização de motor corrente contínua composto - Compound


Figura 01 - Motor CC
Os motores de corrente contínua surgiram como uma forma de solucionar os problemas onde há a necessidade de controle e variação de velocidade e torque em máquinas elétricas acionantes, pois sua velocidade pode ser continuamente alterada mediante a variação da tensão de alimentação. Além disso, os motores CC apresentam torque constante em toda a faixa de velocidade. O motor de corrente contínua é constituído de: Estator e Rotor.
Partes Constituintes – Estator:  
1 - Carcaça que é a estrutura que suporta todas as demais partes. Também tem por função conduzir o fluxo magnético de um pólo ao outro. 
2 - Pólos de Excitação Principal: constitui um núcleo magnético formado por um conjunto de chapas laminadas. Têm por função produzir o fluxo magnético. As suas extremidades são mais largas e constituem as sapatas polares; 
Figura 02 - Partes do Motor CC
3 - Enrolamento principal de campo: o enrolamento principal de campo é bobinado sobre o pólo de excitação principal. É alimentada em corrente contínua e estabelece assim um campo magnético contínuo no tempo;
4 - Enrolamento auxiliar de campo: igualmente alojado sobre o pólo principal. Tem por função compensar a reação da armadura reforçando o campo principal; 
5 - Pólos de Comutação: são alojados na região entre os pólos e constituídos por um conjunto de chapas laminadas justapostas;  
6 - Enrolamentos de Comutação: são percorridos pela corrente de armadura, sendo ligados em série com este. Têm por função facilitar a comutação e evitar o aparecimento de centelhamento no comutador, 
7 - Enrolamento de Compensação: são alojados em ranhuras na superfície dos pólos de excitação (sapatas polares). Têm por finalidade eliminar os efeitos do campo da armadura e melhorar a comutação. É mais comum em máquinas de alta potência, devido ao custo adicional de fabricação e dos materiais;
8 - Conjunto Porta-Escovas: o porta-escovas é a estrutura mecânica que aloja as escovas. É montado de tal forma que possa ser girado para um perfeito ajuste da comutação da máquina e as escovas são constituídas de material condutor e deslizam sobre o comutador quando este gira; elas são pressionadas por molas contra a superfície do comutador. As escovas também conectam o circuito externo da máquina com o enrolamento da armadura.
Partes Constituintes – Rotor
Figura 03 - Enrolamentos Motor CC
9 - Núcleo Magnético: é constituído de um pacote de chapas de aço magnético laminadas, com ranhuras axiais para alojar o enrolamento da armadura;
10 - Enrolamento da Armadura: é composto de um grande número de espiras em série ligadas ao comutador. O giro da armadura faz com que seja induzida uma tensão neste enrolamento;
11 - Comutador: é constituído de lâminas de cobre (lamelas) isoladas umas das outras por meio de lâminas de mica (material isolante). Tem por função transformar a tensão alternada induzida numa tensão contínua; 
12 - Eixo: é o elemento que transmite a potência mecânica desenvolvida pelo motor a uma carga a ele acoplada.
Enrolamentos do Motor de Corrente Contínua
O enrolamento do rotor denomina-se armadura cujas bobinas com terminais 1 e 2 serão alimentadas através das escovas e comutador e produzirão o campo magnético que irá reagir com o campo magnético do estator, criando torque e movimento, e geralmente é constituído por fios de seção maior.
Figura 04 - Funcionamento Motor CC
O estator é formado por um ou mais enrolamentos. O enrolamento Shunt do estator com terminais 5 e 6 é formado por muitas espiras de fio de menor seção. O enrolamento Série do estator com terminais 3 e 4 é formado por poucas espiras de fio de seção maior. O enrolamento do estator é denominado enrolamento de campo ou enrolamento de excitação.
O enrolamento série pode conter um ou mais pólos, os pólos do estator são sempre salientes, de chapa de ferro silício. O estator pode abrigar 2, 4, 6 ou mais pólos, que vão interferir na velocidade máxima do motor.
O conjunto comutador/escovas, que constitui a parte frágil dos motores de corrente contínua, para haver uma boa comutação, além de escovas adequadas, pressão de contato correto, porta escovas adequados, é necessária uma manutenção constante e especializada. No motor de corrente contínua a linha neutra é o ponto de ajuste ideal para a posição das escovas. Esta posição corresponde ao ponto em que as bobinas do rotor estão perpendicularmente posicionadas em relação ao campo fixo do estator; quando não há tensão induzida na bobina, este é o melhor instante para ocorrer a comutação.
Figura 05 - Bobinas Motor CC
Funcionamento de um motor DC
Uma vez que as correntes elétricas produzem campos magnéticos, a bobina, parte do rotor, quando energizada, se comporta como um ímã, criando um campo magnético Norte e um Sul, no rotor. Como os polos opostos se atraem, a bobina gera um torque sobre o rotor que se movimentará no sentido anti-horário, conforme se observa nos itens a e b da figura. Assim, o polo Norte do imã inferior ficará alinhado ao polo Sul da bobina (rotor). Quando a bobina girar 90 graus (item c da figura), não haverá mais torque. Nesse instante ocorrerá a inversão do sentido da corrente na bobina (rotor). Então a bobina continuará girando no sentido anti-horário até que seu polo Norte fique alinhado com o polo Sul do imã, fechando, assim, um ciclo completo de 360 graus e invertendo novamente o sentido de giro da corrente da bobina (item d da figura 05).
Figura 06 -Diagrama Elétrico 
para energização do Motor CC Compound
Controle de velocidade no motor DC
O controle de velocidade de rotação de um motor DC é diretamente proporcional à tensão e à corrente aplicadas aos terminais de alimentação. Quanto maior a tensão aplicada, maior a corrente e, consequentemente, maior a velocidade e o torque do motor.
O Motor de Corrente Contínua Composto se enquadra na categoria de motores de rotor bobinado, e é composto de bobinas de campo série S1 e S2; de bobinas de campo shunt de F1 F2 ligados ao enrolamento da armadura A1 e A2, como mostrado na a figura 06.

Manual do Motor de Corrente Contínua Motron disponível em: 24_10_01 Motor de Corrente Contínua Motron 1CV .

Diagrama elétrico para energização do Motor de Corrente Contínua Compound16_04_24_DM_Motor de Corrente Contínua_Compound .

© Direitos de autor. 2016: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 21/04/2016.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Aula 30 - Energização de motor de indução com rotor bobinado

O Motor de Indução Trifásico com rotor bobinado difere do motor de rotor em gaiola de esquilo apenas quanto ao rotor, constituído por um núcleo ferromagnético laminado sobre o qual são alojadas as espiras que constituem o enrolamento trifásico, geralmente em estrela. 
O três terminais livres de cada uma das bobinas do enrolamento trifásico são ligados a três anéis de deslizamento de escovas colocados no eixo do rotor e por meio de escovas de grafite estacionadas no estator. Esses três anéis são ligados exteriormente a um reostato de partida constituído por três resistências variáveis, ligadas também em estrela. Desse modo, os enrolamentos do rotor também ficam em circuito fechado. A função do reostato de partida, ligado aos enrolamentos do rotor, é reduzir as correntes de partida elevadas, no caso de motores de elevada potência. A medida que o motor ganha velocidade, as resistências são, progressivamente, retiradas do circuito até ficarem curto-circuitadas (retiradas), quando o motor passa a funcionar no seu regime nominal. 
O motor de rotor bobinado também funciona com os elementos do rotor em curto-circuito (tal como o motor de rotor em gaiola de esquilo), quando atinge o seu regime nominal. 
O motor de indução de rotor bobinado substitui o de rotor em gaiola de esquilo em potências muito elevadas devido ao abaixamento da corrente de partida permitido pela configuração do rotor. Os motores de indução de rotores bobinados são muito empregados quando se necessita de partida a tensão plena de armadura, com grande conjugado de partida e corrente de linha moderada na partida. 
Por intermédio do dimensionamento, os resistores do reostato fazem o motor trabalhar com escorregamento muito maior que o convencional (> 5%), fazendo com que se consiga um conjugado de partida maior.
Esse  tipo  de  motor  pode  ser  usado  também  em  máquinas  que necessitam  de  controle  de rotação,  pois,  conforme  se  retira  ou  insere resistência ao rotor, sua velocidade varia. 
Nesta situação  deve-se  compensar  a  carga  no  motor  para  evitar  o sobreaquecimento, já que a auto-refrigeração diminui. O valor das resistências de partida, bem como suas potências, deve ser dimensionado especificamente para cada motor conforme as necessidades de torque na partida. Na placa de identificação pode-se ver a tensão e a corrente do rotor, valores que servirão de bases para cálculos.  O  comando  dos  circuitos  para  a  instalação  desses  motores  deve  ser  projetado para que o motor não dê partida se as resistências não estiverem na posição exata (máxima resistência), para evitar o uso incorreto.  Estes  motores  são  mais  caros  que  os  de  rotor  em  curto,  e  exigem maiores  cuidados  de  manutenção.  Os  inversores  de  freqüência  e  os  soft-starters têm tomado o mercado deles.

Manual do Motor de Rotor Bobinado Motron disponível em: 24_10_01 Motor de Rotor Bobinado Motron 1CV .

Diagrama elétrico disponível em Motor Trifásico de Rotor Bobinado: 16_04_05 Motor Trifásico de Rotor bobinado ;


© Direitos de autor. 2016: Gomes; Sinésio Raimundo. Ultima atualização: 05/04/2016


sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Aula 29 - Energização de motor Dahlander


Figura 01 - Diagrama de motor Dahlander.
Os motores assíncronos em corrente alternada tem a sua operação na produção de um campo magnético rotativo produzido pelos três bobinas fixas com um desfasamento de 120° e correntes alternadas com o mesmo ângulo de fase elétrica. A velocidade do motor não depende do valor da tensão, mas o valor da frequência da rede de energia AC e o número de pares de pólos magnéticos da máquina, conforme fórmula abaixo, onde: N : Velocidade em rotações por minuto (rpm); f : frequência em Hz; e p : Número de pares de pólos.
Deduz se, portanto, que as técnicas mais significativas para variar a velocidade de um motor de indução em um ponto envolve a modificação do número de pólos que têm a máquina ou alterar o valor da frequência. 
Quanto a sistemas para variar a velocidade de agir sobre o número de pólos do motor incluem: Os motor de enrolamentos independentes e o motor Dahlander ou a modificação da frequência da rede elétrica com uso de conversores de frequência.
Figura 02 - Polos consequentes e ativos
em motor Dahlander

Motor de indução trifásico Dahlander
O Motor de indução Dahlander proporciona velocidades diferentes em um mesmo eixo. Na grande maioria, são para apenas um valor de tensão, pois as religações disponíveis geralmente permitem apenas a troca das velocidades. A potência e a corrente para cada rotação são diferentes. 
Este é  um  motor  com  enrolamento  especial  que  pode  receber  dois  fechamentos  diferentes,  de  forma  a  alterar  a  quantidade  de  pólos, proporcionando,  assim,  duas  velocidades  distintas,  mas  sempre  com  relação 1:2. Exemplos: 4/2 pólos (1800/3600 rpm); 8/4 (900/1800 rpm).
F1 - Velocidade 
síncrona 
de motor
A ligação Dahlander permite uma relação de pólos de 1:2 o que corresponde a mesma relação de velocidade. Quando a quantidade de pólos é maior a velocidade é mais baixa, quando é menor a velocidade é mais alta. Isso decorre da Formula : n = 120 x f x (1-s) / p, quando a freqüência é 60 Hz, onde n = velocidade , p o número de pólos, s = escorregamento e f a freqüência.

Diagrama Elétrico de Motor Dahlander D / YY Manual: 16_04_27 Dahlander D/YY Manual .


© Direitos de autor. 2016: Gomes; Sinésio Raimundo. Ultima atualização: 02/09/2016

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Aula 28 - Energização de motor de duplo enrolamento

Figura 01 - Diagrama de Motor
com enrolamentos separados.
Baseado em que a rotação de um motor elétrico (rotor gaiola) depende do número de pólos magnéticos formados internamente em seu estator, o motor de enrolamentos separados possui na mesma carcaça dois enrolamentos independentes e bobinados com números de pólos diferentes. Ao alimentar um ou outro, se terá duas rotações, uma chamada baixa e outra, alta.
Motor com enrolamentos independentes consiste em dois estatores enrolamentos eletricamente independentes e normalmente conectados em estrela, sem conexão comum com ambos os enrolamentos.
Cada um dos enrolamentos do motor foi construído para uma determinada velocidade, e podem ser utilizados separadamente, conforme necessário.

Motor de indução trifásico com Enrolamentos Separados (Duplo Bobinado)
As rotações dependerão dos dados construtivos do motor, não havendo relação obrigatória entre baixa e alta velocidade. Exemplos: 6/4 pólos (1200 /1800 rpm); 12/4 pólos (600/1800 rpm).


Ao alimentar uma das rotações, deve-se ter o cuidado de que a outra esteja completamente desligada, isolada e com o circuito aberto, pelos seguinte motivos: não há possibilidade de o motor girar em duas rotações simultaneamente; nos terminais não conectados à rede haverá tensão induzida gerada pela bobina que está conectada.
Caso circule corrente no enrolamento que não está sendo alimentado surgirá um campo magnético que interferirá com o campo do enrolamento alimentado; não é interessante que circule corrente no bobinado que não está sendo utilizado, tanto por questões técnicas como econômicas (consumo de energia).
Essas são as razões pela quais os enrolamentos destes motores são fechados internamente em estrela (Y).

Manual de motores Voges disponível em: 21_08_01 Manual de motores Voges.

Diagrama elétrico com Disjuntor Motor de Motor Trifásico de dois bobinados disponível em : 16_04_10 Motor Trifásico de duplo bobinados ;

Diagrama elétrico com chave eletromecânica de Motor Trifásico de dois bobinados disponível : 19_08_01 Chave Eletromecânica - Dois Bobinados.

© Direitos de autor. 2016: Gomes; Sinésio Raimundo. Ultima atualização: 02/04/2016